Guilherme Maranhão / artista

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Digital Artesanal

Arquivo Negativos

Para o ensaio Pluracidades, Eder Chiodetto preparou o seguinte texto:

“O olho de um scanner abandonado não está cego. Ele apenas deixou de olhar o mundo de forma obediente conforme programação formulada pela indústria. Um equipamento quebrado se transforma num marginal dentro da sociedade de consumo. A esse olhar marginal da máquina, Maranhão sobrepõe uma atitude libertária, subversiva de reinventar o seu ponto de vista sobre o visível. Ao recuperar esse olho eletrônico do lixo das lojas de sucatas e reinseri-lo noutra função, o artista ao mesmo tempo tira do automático a máquina, a função do fotógrafo e, por fim, a percepção de quem observa tais imagens. Este circuito criado por Maranhão permite que o acaso também concorra na interpretação da paisagem conferindo-lhe uma visualidade que não tem como referência a hegemonia do olhar humano e tampouco siga a bula do programa elaborado pelos engenheiros, que transforma o mundo numa mimese pasteurizada e hegemônica. “Pluracidades”, gestada à margem da automaticidade do olhar da indústria eletrônica e sob o ponto de vista desse fotógrafo desobediente das regras, faz emergir no nosso olhar robotizado a paisagem reinventada de uma cidade errática, a cidade de Maranhão! Sem referências geográficas, essa estranha urbe se redesenha em geometrias lúdicas, em rastros luminosos que flagram a passagem do tempo. E, assim, a vida se precipita, linha por linha, num encontro errático e poético de cores, formas e associações inesperadas, nos transportando para dimensões inesperadas do olhar.”